Salvador,
24 de julho de 2026.
O Estado da Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) vêm a público manifestar, conjuntamente, sua firme contrariedade à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em vigor a partir de 22 de julho de 2026, como desfecho da investigação conduzida sob a Seção 301 do Trade Act de 1974. Trata-se de medida unilateral que penaliza relações comerciais construídas ao longo de décadas, atinge cadeias produtivas integradas entre os dois países e transfere - de forma arbitrária e sem justificativa plausível - seus custos a trabalhadores, empresas e consumidores, ferindo os princípios da economia de mercado defendida pelos EUA.
Adicionalmente, manifestam profunda preocupação com a nova tarifa consignada pelo governo do presidente Donald Trump anunciada ontem (23 de julho de 2026), no âmbito de um novo tarifaço global voltado a cerca de 60 parceiros comerciais sob a justificativa de fiscalização insuficiente de trabalho forçado. Nessa nova medida, o Brasil foi enquadrado na alíquota máxima de 12,5%, acumulando novas sanções comerciais que se somam aos 25% já vigentes.
Para
a Bahia, o impacto é direto e mensurável. Com base nas exportações de 2025, US$
273,1 milhões permanecem sujeitos à tarifa, o que corresponde a 33,2% dos US$
821,4 milhões exportados pela Bahia aos Estados Unidos no ano, cerca de 1/3 da
pauta. Pela classificação setorial oficial, a medida é uma tarifa sobre a
indústria baiana, concentrada em três cadeias que respondem por quase 90% do
valor afetado: papel e celulose, borracha e plásticos e produtos
químicos. De acordo com os dados da pauta de 2025, 33,2% da pauta está
tarifada, com teto estimado em 40,4%, consideradas as condicionantes previstas
em parte das isenções, cuja aplicação depende do uso declarado do produto. Além
disso, tem efeito significativo sobre as exportações da cadeia de calçados e
couro, grande geradora de empregos no interior do estado.
Apoio
à negociação e pleitos prioritários
Estado
da Bahia e FIEB manifestam integral apoio ao Governo Federal na condução das
tratativas diplomáticas e técnicas com os Estados Unidos e defendem que a via
negociada permaneça como caminho prioritário para a superação do impasse. Nesse
esforço, apresentam como pleitos prioritários da Bahia:
a
inclusão dos pneumáticos e dos produtos químicos e petroquímicos do polo
industrial de Camaçari nas próximas rodadas de negociação para a lista de
exceções, segmentos intensivos em investimento e emprego cuja perda de mercado
já está demonstrada nos dados de 2025, bem como a adoção de medidas para a
proteção do mercado interno desses setores, tais como a aplicação de alíquotas
de importação e antidumping para produtos petroquímicos e estabelecimento de
preço de referência para pneumáticos;
a
preservação das isenções já conquistadas, que alcançam cadeias relevantes para
o estado, como celulose branqueada, cacau e derivados, combustíveis,
fruticultura irrigada e café.
Compromisso
conjunto
O
Estado da Bahia e a FIEB atuarão de forma coordenada e permanente na defesa da
indústria baiana, com base em evidências técnicas e em diálogo constante com o
setor produtivo. O objetivo comum é preservar mercados construídos ao longo de
décadas de investimento e trabalho, proteger empregos e renda e apoiar o
Governo Federal na busca de uma solução amigável, célere e duradoura.
Para
fortalecer esse trabalho, as empresas afetadas são convidadas a comunicarem ao
Estado da Bahia e à FIEB os efeitos da medida sobre pedidos, contratos,
produção e empregos. Essas informações compõem a base de evidências que
sustentará os pleitos da Bahia nas negociações.
Jerônimo
Rodrigues
Governador
do Estado da Bahia
Carlos
Henrique Passos
Presidente
da Federação das Indústrias do Estado da Bahia
Fotos: Raí Vitor/GOVBA
Secom
- Secretaria de Comunicação Social - Governo da Bahia



Nenhum comentário:
Postar um comentário